Os seus estudos conferiram-lhe um lugar de
relevo no avanço científico do seu tempo.
A partir do século XV desenvolveu-se um
desejo insaciável de saber a verdade,
satisfazer a curiosidade, explicar as
contradições e insuficiências do saber
antigo. Defendia-se a ideia de que todo o
conhecimento tinha que ser confirmado pela
razão e pela experiência. Esta atitude
racionalista estaria na génese do pensamento
científico.
Em todo o processo de crítica ao saber
tradicional e de procura de um conhecimento
alicerçado na experiência, o matemático
Pedro Nunes desempenhou um papel importante
dando um contributo decisivo para o avanço
do conhecimento.
Nasceu em 1502 em Alcácer do Sal, de
ascendência judaica.
Seguiu os cursos de Filosofia e Matemática
na Universidade de Lisboa, onde também foi
encarregado da regência da cadeira de
Filosofia Moral, Lógica e mais tarde
Matemática. Esteve algum tempo na
Universidade de Salamanca, não se sabendo ao
certo em que situação: aluno, professor ou
simplesmente ouvinte.
Em 1529 D. João III nomeia-o cosmógrafo,
passando a cosmógrafo-mor do reino em 1547.
Após a transferência definitiva da
Universidade para Coimbra, Pedro Nunes foi
nomeado professor dessa escola onde ensinou
até 1562, ano da sua jubilação. Sabe-se, no
entanto, que os seus cursos eram muitas
vezes interrompidos por ser chamado a Lisboa
pelo rei, para se ocupar de problemas
técnicos da náutica.
Profundo conhecedor dos tratados gregos e
medievais sobre geometria e matemática, e
como cosmógrafo, trabalhou com pilotos e
navegadores portugueses que na altura
sulcavam os mares. Criticou os mitos, as
crenças e as forças misteriosas como causas
dos fenómenos naturais.
Foi autor de várias obras, sendo a mais
conhecida o Tratado da Esfera.
Inventou o nónio, instrumento de matemática
para medir com máxima exactidão as fracções
de uma divisão numa escala graduada, ou "uma
peça acessória - graduada em graus, minutos
e segundos - que Pedro Nunes pensou juntar à
linha do astrolábio náutico com o fim de
medir fracções do grau e que, no seu dizer,
se destinava" às observações dos astros e
com a qual se possam determinar
rigorosamente as respectivas alturas "-
Proposição III da segunda parte do De
Crepusculis".
Veio a falecer em Coimbra, a 11 de Agosto de
1578, uma semana após o desastre de
Alcácer-Quibir.