Mesmo após quase 15 anos de dinamização da Colheita de Sangue, nos dias que
antecedem a grande data, a ansiedade e o nervosismo invadem-me. Num mundo cada
dia mais egoísta, mais competitivo, é muito difícil falar de dádiva, de
solidariedade. Mas, às 9 horas, naquela manhã, ainda não estava o material todo
instalado e já chegavam os primeiros dadores: os que se habituaram a vir todos
os anos à nossa Escola, os ex-alunos e os que ainda cá estudam e vinham nervosos
porque era a primeira vez. Durante toda a manhã, com paciência e tenacidade, lá
foram esperando pela hora H. Os que não reuniam as condições necessárias (falta
de peso, tensão fora da norma ou hemoglobina muito baixa) ficavam decepcionados,
mas não deixavam o ou a amiga que dava “pelos dois”. Pessoal docente e não
docente, trabalhadores da Escola lá foram também contribuir com um pouco do seu
sangue.
A
equipa de Coimbra salientou a qualidade das instalações, a disponibilidade dos
funcionários para que nada faltasse... O dia esteve muito quente e o calor
perturbou alguns, mas, à uma da tarde, 57 unidades estavam prontas para seguir
para o hospital.
Um
erro frequente dos novos dadores é apresentarem-se em jejum. Pelo contrário, o
corpo precisa de energias para “fabricar” rapidamente a quantidade de sangue que
lhe foi tirada. Antes e depois da colheita, é muito importante comer bem. Apenas
antes da dádiva se deve evitar a ingestão de gorduras.
Muitos alunos e alguns adultos teriam desejado concretizar a sua dádiva e, por
motivos diversos, não o fizeram nesse dia, mas poderão fazê-lo em qualquer
altura, num outro local, nomeadamente nos HUC. Uma ida a Coimbra para visitar um
familiar pode ser uma óptima oportunidade: geralmente não há tempo de espera e a
equipa de serviço receber-vos-á com o mesmo carinho e atenção. Ou então podem
esperar pelo próximo mês de Abril 2008.
Em
nome de todos aqueles que vão ganhar qualidade de vida ou ter a vida salva pelo
precioso líquido, em nome de todos os doentes e feridos, aqui fica um grande
muito obrigado! À Escola, agradeço a oportunidade que me dá, todos os anos, de
realizar esta actividade muito especial.