Escola Secundária de Pombal

 

O Correio de Pombal

Eco-Escolas

 

International Education

   

 
  GATO    MOODLE M. EDUCAÇÃO
   

 

Escola galardoada

com a

BANDEIRA VERDE

 

 

 

 

 

   

Mail:  jornalsemente@espombal.edu.pt

 

Onde estou?    pergunta página inicial    pergunta notícias    pergunta mais notícias

Dr. João Lima, Avaliador Externo

Aprender com a vida: o processo RVCC

Hoje, o processo de reconhecimento de aprendizagem não passa por avaliar conhecimento. Passa por validar competências.

 

 

   

  semente

24-06-2011 12:11

  Aumentar fonte        Diminuir fonte     Imprimir

 

Tive muitas dúvidas. Muitas. No momento em que recebi indicação do Ministério da Educação sobre a validação como Avaliador Externo no processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC).

 

Pensei em primeiro lugar, de uma altiva concepção do mundo e do saber, que a validação de competências adquiridas devia ter lugar no sistema de ensino dito tradicional. Aprender, avaliar, validar. Foi o sistema no qual adquiri todo o meu conhecimento académico. Esse, para mim, era o caminho correcto e não através de um processo que não avalia, antes, reconhece conhecimentos. Depois, em julgamento de lógica e evidência, pensei que um processo assim só podia ser criado para aumentar artificialmente a escolaridade de uma população que a não tentou procurar pela via do ensino tradicional. Isto, no meu pensamento surgia associado à ideia de qualificação dos portugueses à luz de uns quantos números em imensas tabelas a comunicar à União Europeia. Por último pensei, em julgamento de valor, que o modelo aplicado no nosso Portugal demasiado português iria resultar num “facilitismo” e numa coisa qualquer parecida com aquilo que alguém, num gabinete, desejava que fosse.

 

Hoje, passados quatro anos de trabalho com Centros Novas Oportunidades como o da Escola Secundária de Pombal, olho para o sistema RVCC de forma completamente diferente. Em discussão sobre esta minha mudança de opinião um dia fiz uma pergunta a um professor meu amigo: Quando é que aprendeu mais? Nos bancos da Universidade que o preparava para ser professor ou ao fim dos seus 20 anos de prática? A resposta foi: com a prática. Eu respondi: E se essa prática pudesse ser reconhecida e validada, não o aceitaria? Não o reconhecia? Não achava importante? E se, ainda por cima, pudesse ser convertida num qualquer grau académico não acharia justo? Não lhe tinha custado a aprender como o tinha feito nos bancos de uma qualquer sala de aula?

 

Assisti já a um grande número de júris de validação. Centenas e centenas de pessoas. Todas ou quase todas acabaram com as minhas dúvidas iniciais. Este processo é feito para dar uma nova oportunidade. Por um lado, a quem, por motivos que a vida actual já não entende ou esqueceu – tempos difíceis, vidas interrompidas, dificuldades económicas ou familiares – não conseguiu estudar. Por outro, a tanta e tanta gente que a escola não conseguiu seduzir e que a vida profissional fascinou muito mais.

 

Hoje, todos ou quase todos dizem que regressam por via do processo RVCC ao mundo da aprendizagem. Um regresso sempre desejado. Um primeiro passo num gesto muito maior. O de ter a coragem de voltar atrás e admitir a importância de tudo o que a escola não lhes ensinou. Hoje, os Centros Novas Oportunidades, pelo menos aqueles que tenho acompanhado e em particular o da Escola Secundária de Pombal, são exemplos do novo paradigma do conhecimento e locais que espelham profissionalismo, seriedade e humanidade. Tenho muitas vezes dito em sessões públicas de debate que, em muitas coisas, o Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Pombal tem sido um exemplo a seguir, pela organização e pela qualidade.

 

Hoje, o processo de reconhecimento de aprendizagem não passa por avaliar conhecimento. Passa por validar competências. A escola tradicional pode e deve continuar. Talvez ainda mais exigente. Talvez ainda mais científica. Mas, por outro lado, a sociedade e o paradigma do conhecimento mudaram. Mudaram no sentido de precisarem de mais opções, de mais oportunidades, de mais processos para validar, reconhecer que existe outro conhecimento para além do conhecimento teórico e prático aprendido nas salas de aula. Existe um mundo para além do tradicional processo de ensino-aprendizagem. Esse mundo é o das competências adquiridas ao longo da vida. Dois “mundos” que podem e devem existir no seio de uma escola moderna, aberta, plural, inclusiva.

 

Hoje, vejo o processo RVCC, não como um meio de qualificar os portugueses, porque não o é, nem esse é o objectivo principal deste modelo, mas, acima de tudo, como um primeiro passo nesse caminho. Um passo que pode abrir portas à formação profissional, à formação especializada, à continuação dos estudos, à formação de dupla certificação (escolar e profissional) ou, simplesmente, à valorização do próprio adulto que conclui o processo.

 

Sempre defendi que as escolas devem ser modelos exigentes de criação e divulgação do conhecimento. É esse o seu papel. Mas hoje, no momento em que vivemos, deve ser também um local de encontro entre a oportunidade e o reconhecimento de que a vida também cria saber. Isso é o processo de RVCC. A aprendizagem de uma vida reconhecida como conhecimento. Um ponto de partida e não um ponto de chegada. 

 
 
 

 home

 
 

Actualidade

 

 

     

A Semente on.line     Página Inicial   |   Agenda   |   Artes e Letras   |   Cultura e Ciência   |   Modos de Ver   |   Realces

 

Propriedade: Escola Secundária com 3.º Ciclo de Pombal de Pombal, Rua Da Escola Técnica, 3100-487 POMBAL

 

Telef.: 236212169         Fax.: 236217277          Mail: jornalsemente@espombal.edu.pt

 

Concepção Gráfica e Manutenção: Prof. Agostinho Santos  /  Redacção: Professoras Lídia Ribeiro e Margarida Cardoso