De origem humilde, sem educação formal, distanciado da cultura dominante, Fernão
Mendes Pinto dá-nos, na sua obra, o testemunho presencial de comportamentos,
modos de pensar, de sentir e de viver de povos que julgávamos inferiores, pelo
simples facto de serem diferentes.
Quinhentos anos depois do seu nascimento, milhões de pessoas em todo o mundo
continuam a ser excluídas por não terem a mesma cor de pele, não falarem a mesma
língua, não acreditarem no mesmo Deus, não possuírem os mesmos recursos, não
pensarem da mesma forma. Cinquenta e nove anos depois da proclamação da
Declaração Universal dos Direitos do Homem, os formandos das turmas A e B do
Curso de Formação de Formandos da nossa Escola quiseram, relembrando o papel que
os nossos escritores tiveram na defesa dos direitos do homem (Fernão Mendes
Pinto, Camões, Padre António Vieira, Saramago e tantos outros…) alertar-nos para
a ideia de que – e é Albert Camus que citamos – “o que é preciso combater hoje é
o medo e o silêncio. O que é preciso defender é o diálogo e a comunicação dos
homens entre si. A servidão, a injustiça, a mentira são flagelos que quebram
esta comunicação e proíbem este diálogo. De ora em diante, a única honra será a
de manter esta formidável aposta que decidirá enfim se as palavras são mais
fortes do que as balas”.
Subiram ao palco com enorme empenho e entusiasmo para representarem a peça
“Crónica presente de um direito ausente”, contracenaram com jovens do 12º ano (a
Catherine Fernandes, o Telmo Gaspar, o João Santos e o Tiago Henriques) já com
alguma experiência de teatro, decoraram textos, construíram cenários, costuraram
fatos e velas, recuperaram actividades ancestrais, foram poetas, camponeses,
artesãos, vadios, mendigos e pedintes… foram ousados, determinados e
aventureiros… Conquistaram uma plateia exigente e atenta e mostraram que vale
sempre a pena aproveitar as “novas oportunidades” que a vida nos dá!