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4 de Outubro, Dia Mundial dos Animais

 31.10.2008

 Por: Elsa Proença, Professora de Filosofia

Acerca do nosso mundo sabemos pouco, muito pouco, mas nada nos impede de agirmos como donos do monopólio das certezas. Vejo muito boa gente preocupada e ocupada com o abandono animal. Vou explicar-me melhor.

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Existem no mundo associações destinadas a sensibilizar pessoas no que respeita aos interesses dos gatos, cães, animais exóticos traficados e alguns em vias de extinção. Pessoas que dedicam as suas vidas a um trabalho que tem por objectivo abolir o sofrimento de certas criaturas. Estas pessoas, como tantas outras, sentem um verdadeiro afecto pelos seres a que se dedicam e, no entanto, findo um dia de trabalho, sentam-se à mesa e comem uma ave, um mamífero, nas calmas.


O que se passará na mente destas pessoas? Será que uma arara brasileira não tem o mesmíssimo interesse em estar viva e confortável que uma galinha francesa? Como decorreu este processo de insensibilização em relação a certos animais? Há quem deixe os cães em hotéis, leve gatos ao cabeleireiro e coma fígado doente de ganso, obtido através de uma tortura alimentar continuada desta ave.


No jardim de infância, ensinam-nos a amar os coelhinhos, as borboletas, os mé-més e ensinam-nos também a devorar os nossos amigos, devidamente temperados e cozinhados. É muita matéria para crianças tão pequenas. Com o tempo começamos a perceber as regularidades. Na Páscoa comemos cabritos, bebés portanto, no Natal comemos peru. Outras ocasiões festivas pedem leitão, outra vez bebés. É a tradição. Com a tradição não se discute. A tradição manda tratar mal as mulheres, os caloiros, os escravos, os presos, os deficientes, os pobres, os touros e tantos outros animais cuja carne ou pele, por luxo, cobiçamos.


Um cão deve ser protegido, um carneiro deve ser morto. A tradição esquece a capacidade de sofrimento dos animais em geral. E tu também a esqueceste, insensibilizaste-te, vais com o rebanho. Alegras-te por teres recolhido um animal abandonado e nada sentes quando passas por um camião cheio de gado vivo. Ao cão reconheces a capacidade de sofrer, até porque o ouviste ganir, à vaca não reconheces. Será por não saber ganir? Praticando toda esta violência, ainda tens a lata de te considerares um pacifista?

 

 

 
 
 

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