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O Filme monocromático

09-11-2009   

Por: Sofia Carvalho, Professora de Filosofia

«O cinema não é um ofício. É uma arte. O cinema não é um trabalho de equipa. O director encontra-se só diante de uma página em branco. (…) estar só é fazer perguntas; filmar é encontrar as respostas. Nada poderia ser mais classicamente romântico.»

Jean-Luc Godard, "Bergmanorama", Cahiers du cinéma, Julho – 1958 in O Cinema e a Pintura

 

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Partindo da epígrafe inicial, os filmes surgem como testemunho vivo de projectos, desejos e gestos da Humanidade! Serão uma invenção do Homem para combater a temporalidade? Serão espelho do ensejo de vislumbrar a Eternidade? Que intentos, memórias e acções se tornam cúmplices desse olhar que a fita trilha e a monocromacia salva? Trata-se da ideia de que a arte deve cinzelar uma nova Humanidade assente na necessidade de perscrutarmos, na e pela viagem solitária (não sozinha), todas as possibilidades, caminhos e hipóteses que nos tornam pessoas melhores, diríamos, pessoas para Mais!

 

Charlie Chaplin

Fig. 1: Charlie Chaplin

(1889-1977)

O filme monocromático, também conhecido como filme a preto e branco, filme preto e branco, ou ainda em inglês, P&B, PB, B&W, BW, possui apenas tons de cinza, variando do branco até o preto. Pela sua atracção enigmática e pela liberdade na criação pode ser classificado como um veículo artístico, sendo instrumento preferencial no meio artístico pelo seu pendor familiar, intimista e pessoal. Relembremos, a este respeito, a figura, ao mesmo tempo, boulevardiana e circunspecta de Charlot que, parafraseando Almada Negreiros, conseguiu, no tumulto da homogeneidade das máquinas, ser inimitável! (V. fig. 1)

 

Os filmes são criados para produzir uma imagem negativa a partir da qual se fazem as cópias em papel. A temperatura de cor das fontes de luz não afecta a imagem final, como ocorre com os diversos tipos de película colorida. (V. fig. 2)

Ingmar Bergman durante as filmagens de Morangos Silvestres (1957)

Fig.2: Ingmar Bergman, filmagens de Morangos Silvestres, 1957


A obra de Ingmar Bergman além de recorrer, por opção artística, à técnica acima referida, compõe um dos mais ricos e essenciais capítulos da história do cinema, rompendo as fronteiras do sentido e da reflexão pela abordagem profunda e meditativa do realizador a temas intrínsecos à existência humana – como o desejo, a morte e a religiosidade.

 

A Canção de Lisboa (V. fig. 3) surge como um dos pilares do cinema português clássico.

Fig.3: Beatriz Costa e Vasco Santana, filmagens de A Canção de Lisboa,1933.

 Desde a fotografia filmonocromática, reflectindo o olhar arguto e sensível do seu realizador, o arquitecto José Cottinelli Telmo, passando pela caracterização típica e simbólica da cultura lusitana, à original e criativa elaboração dos cartazes de propaganda

 por Almada Negreiros, esta criação, da primeira comédia portuguesa sonora, ficará gravada na memória como testemunho da evolução cinematográfica portuguesa.

 

Bibliografia

A.A., Cinema e Pintura, Cinemateca Portuguesa, Museu do Cinema, Lisboa, 2005.

Negreiros, Almada, Charlie Chaplin, in Obra Completa, Ed. Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997.

Sitegrafia

http://pt.wikipedia.org/wiki/

 
 
 
 

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