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Discurso da tomada de posse do Eng.º Fernando Mota, como Director da Escola

2009.06.09    Por: Engº Fernando Mota, Director da Escola

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Exmo. Sr. Presidente do Conselho Geral
Exmos. membros do Conselho Geral
Antigos e actuais professores, funcionários e alunos desta escola
Ilustres representantes locais
Caros Directora/Presidentes

Agradecimentos

Gostaria, em primeiro lugar, de saudar o Sr. Presidente e todos os membros do Conselho Geral, e desejar-lhes um profícuo trabalho em prol da Escola e da comunidade.

Permitam-me antes, contudo, de agradecer, o trabalho, a dedicação, a lealdade, a competência e empenho demonstrados ao longo do mandato que agora termina da Dra. Arminda Pinheiro, da Dra. Graciosa Gonçalves, da Dra. Lídia Ribeiro, da Dra. Manuela Pinto e do Dr. José Costa.

Uma palavra de agradecimento a todos os professores e funcionários desta escola pela sua amizade, pelo seu contributo na educação e formação de inúmeras e sucessivas gerações de alunas e alunos, cumprindo a sua missão com competência, dedicação e zelo.

Um reconhecimento e um voto de confiança a todos os alunos e alunas, são eles a verdadeira razão de estarmos aqui hoje todos reunidos. Uma saudação especial a todos os Pais e Encarregados de Educação.

Uma palavra de amizade e de reconhecimento aos antigos professores, funcionários e alunos desta escola, aqui presentes. A todos um muito obrigado! Foi com o seu trabalho, dedicação e honestidade ao longo de décadas que foi possível fazer desta escola uma referência local, regional, no país e no mundo.

Agradeço à autarquia na pessoa do seu Presidente, Eng. Narciso Mota, todo o apoio dado a esta escola.

Dirijo-me agora a todos os que nos quiseram honrar com a sua presença neste acto de tomada de posse.

Passado

Por despacho ministerial, em 17/09/1957, foi nomeado pelo Ministério da Educação Nacional o primeiro Director da Escola Técnica de Pombal, o distinto Dr. João Augusto dos Santos Rocha, acumulando as funções de Presidente da Câmara.

Em 24/09/1959 deu-se a substituição do Director, com a entrada para o cargo o Lic. António Braamcamp de Mancelos da Silva.

Em 01/04/1964 tomou posse no cargo de Director o Lic. Sílvio António Leite Geraldo e, em 12/08/1974, com o 25 de Abril, termina o cargo de Director para dar lugar a uma Comissão de Gestão.

Passados 35 anos após o 25 de Abril, nós assistimos a mudanças profundas na sociedade portuguesa, os tempos são outros, mas a vontade em servir, em fazer melhor e em trabalhar em prol dos alunos e da comunidade sempre foi uma clara intenção de todos aqueles que estiveram à frente desta escola. Para eles, o reconhecimento e justa homenagem pelo contributo que deram na prestação de um serviço público de qualidade.

Não resisto, porém, a citar-vos uma passagem de um manual da primeira classe cuja data de registo é coincidente com a fundação desta escola:

“Sabeis meus meninos como podeis agradar ao vosso professor? Ouvi:

Não façais barulho na aula.
Não deiteis papéis no chão.
Não risqueis as carteiras, nem sujeis as paredes.
Tende os livros e cadernos sempre limpos e em ordem.
Estai com atenção.
Sede amigos uns dos outros. Os alunos de uma escola devem ser como irmãos."

O passado é sempre um tempo e um espaço de ensinamentos, uma base para o presente e uma ponte para o futuro. Importa, pois, enquadrar a escola na realidade presente, ajudar alunas e alunos a criarem o seu projecto de vida, abrindo-lhes perspectivas e janelas de oportunidade. Desvalorizar este processo de ensino e aprendizagem, percorrido por cada um em interacção com os seus pares, professores e outros parceiros educativos é comprometermos seriamente a sua visão de existência, a busca do sentido para a vida, o seu papel no mundo.

O mandato que agora cessa foi complexo, desgastante, com vários problemas para resolver, quer internos, num quebrar de rotinas consolidadas, quer externos, nas mudanças profundas introduzidas por este Governo na educação e na reforma da administração pública. Nós fomos os agentes de mudança, fomos os instrumentos, os actores, o suporte de políticas nem sempre bem conseguidas.

Presente

Temos de olhar para o Presente e para o Futuro! Estamos na era da globalização, e os grandes quadros de valores sociais e morais, orientadores das condutas, vão-se tornando universais. As pessoas questionam-se sobre a sua própria identidade, sobre a relação entre a economia e a sociedade e os modos de constituição das identidades individuais e colectivas. Vivemos num País e numa Europa com taxas de envelhecimento elevadas, queremos respostas para as novas situações: ambiente, família, emprego, relações laborais e saúde.

Os nossos sistemas de educação de massas tornaram-se em larga medida obsoletos. Vivemos num tempo em que o Homem se abstém da participação na construção da sociedade, em que o individualismo se assume como principal lógica de sobrevivência e em que a História se escreve num misto de acaso e de vontade de uma minoria dominante.

Conforme diz Boaventura Sousa Santos: “Há um desassossego no ar. Temos a sensação de estar na orla do tempo, entre um presente quase a terminar e um futuro que ainda não nasceu.

Mas face a esse “desassossego”, temos de ser um cluster de acção e mudança esse é o grande desafio político de Portugal. Como nos podemos alhear do Mundo, da Europa e das antigas colónias portuguesas que oferecem tantas oportunidades a jovens estudantes, cientistas, investigadores e empresários.

Queremos um Portugal visionário, arrojado, combativo, solidário, que faz jus à sua História – o Portugal da Educação, da qualificação, da inovação e do empreendedorismo. Mas, também queremos um Portugal que invista em políticas promotoras da igualdade e de maior justiça social. Um Portugal positivo e mobilizador de novas sinergias que nos lancem para rotas de sucesso mundial.

A aposta política deve ser na educação, valorizando as gerações mais novas, investindo na preparação do seu futuro e apostando numa escola de qualidade e na importância que esta assume, na preparação de uma nova geração face aos requisitos do mundo actual.

A educação poderá funcionar como uma alavanca, de forma a ajudar a construir uma sociedade do futuro na qual a Humanidade se constitua numa “comunidade planetária”. Esta será uma condição essencial e de acordo com Edgar Morin, para que “as relações humanas saiam do seu estado bárbaro de incompreensão”.

Futuro – Desafios Externos

Estamos numa altura de mudanças a antiga Escola Industrial e Comercial / Escola Secundária de Pombal vai ser transformada numa escola do Sec. XXI, equipada com todas as condições tecnológicas de espaço e de conforto. Com a intervenção da Parque Escolar dá-se início a um novo ciclo, a escola afirma-se com e na comunidade, enquanto elemento estratégico de construção de uma cultura de aprendizagem e de divulgação de conhecimento.

Esta requalificação conduz a um novo enquadramento do edifício da escola com a cidade, redimensionando toda a zona envolvente de forma a criar uma nova centralidade para Pombal, surgindo novas zonas de lazer e recreio num espaço único com uma área de 5000 m2. E com isto atrevo-me a fazer um apelo: Sr. Presidente da Câmara Eng. Narciso Mota, faça da cidade de Pombal uma cidade com poucos carros! Promova o uso do transporte colectivo, promova a melhoria dos interfaces ou hubs de transferência de pessoas, o uso da bicicleta e circuitos pedestres. Crie valor acrescentado nas áreas da cultura, desenvolvimento económico, partilha de know-how, criação de soluções de mobilidade e transporte e desenvolvimento social, entre outros, contribuindo para a criação de um futuro sustentável no qual o máximo de cidadãos desta e das futuras gerações possam usufruir de uma elevada qualidade de vida.

Futuro - Desafios Internos

Temos de ser exigentes, premiar quem trabalha e procurar a excelência, mas não nos podemos esquecer da nossa missão, enquanto instituição pública: servir a comunidade em que nos inserimos!

A escola do século XXI exige gestores treinados para lidar com a complexidade e líderes para empreender a mudança, exige educadores e pedagogos críticos, reflexivos e autónomos, exige responsabilidade, sensatez e sensibilidade humana.

Por isso considero importante assumir os seguintes desafios:

O primeiro desafio é conseguirmos implementar uma nova cultura de ensino, numa escola que vai interagir e enquadrar a comunidade como recurso fundamental, integrar públicos-alvo diferenciados e multifacetados e, ao mesmo tempo, promover processos de aprendizagem multidiversificados e multicontextualizados.

O segundo desafio é conseguirmos desempenhar novos papéis e acompanhar o acelerado e profundo desenvolvimento científico e tecnológico, a democratização e a universalização da educação, as constantes mudanças sociais que afectam a estrutura e a natureza do trabalho, com consequências importantes na vida das pessoas e dos grupos.

O terceiro desafio é conseguirmos promover uma cultura de exigência, e o alinhamento de todos os intervenientes no processo educativo na estratégia definida, mas com o sentido prático da necessária adequação à realidade em que vivemos, com a preocupação da exequibilidade das soluções e a justa ponderação dos recursos disponíveis. Queremos uma escola onde se cultiva o rigor, uma escola exigente e uma escola que promova atitudes e práticas que contribuam para a formação de cidadãos conscientes e participativos na sociedade.

O quarto desafio é conseguirmos níveis elevados de eficiência e de eficácia organizacional na construção de uma escola que preste um serviço público de qualidade tendo por base a defesa do primado da escola pública.

O quinto desafio é conseguirmos que todos os intervenientes no processo educativo se envolvam de forma a existir mudança e inovação organizacional. Para atingir estes objectivos é fundamental uma aposta clara na qualificação e desenvolvimento de competências dos recursos humanos, cumprir os objectivos definidos e atingir os resultados previstos. Temos de repensar os processos de liderança, temos de ser capazes de influenciar positivamente as pessoas na direcção certa, encorajando o seu envolvimento, o seu sentido de propriedade e a sua responsabilidade.

O sexto desafio é conseguirmos a participação e o envolvimento dos pais na vida escolar, promovendo a educação formal dos seus filhos. Pais e professores constituem dois parceiros que se complementam e convergem na acção educativa mas que não podem substituir-se, um ao outro, eficazmente. Os valores para o século XXI têm necessariamente que se construir na interacção social, na valorização mas também na co-responsabilização e autonomização do indivíduo. Precisamos de pais educadores capazes de exercer, eficazmente, a função reguladora de educar os seus filhos, em termos sociais, cognitivos, emocionais e psicológicos.

O sétimo desafio, e último, é conseguirmos ser uma escola de referência e de excelência, pela qualidade ao nível do ensino e formação ministradas, pelo desenvolvimento de práticas educativas inovadoras, pelo seu reconhecimento na Europa e pela qualidade na formação de cidadãos responsáveis e empreendedores.

Hoje ao assumir este compromisso, perante vós, para quatro anos tenho a noção exacta que só existirá sucesso se o Director e a sua equipa conseguirem assegurar, no quadro de uma gestão participada, a mediação entre lógicas e interesses diferentes da comunidade e da Escola, tendo em vista a obtenção de um compromisso quanto à natureza do Projecto Educativo e o processo educativo dos alunos. A ideia de uma escola para todos, associada a um projecto emancipador, não só numa perspectiva de desenvolvimento pessoal, como também de desenvolvimento colectivo, tem sido difícil de concretizar.

Acreditamos que é possível construir um projecto de escola que se assuma, como um local privilegiado capaz de um grande contributo para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Temos de esquecer divergências, temos de estar unidos, no sentido de se construir uma comunidade educativa local, onde todos os intervenientes trabalhem em conjunto e partilhem um projecto educativo comum, onde os pais sejam uma parte activa e participante, onde todos os serviços e organizações locais se revejam na colaboração.

Todos temos a responsabilidade de construir o Presente e o Futuro, com humildade, dedicação, tolerância, transparência e honestidade. Para me coadjuvar nesta missão, vou contar com a Dra. Filomena Miranda que vai exercer as funções de Subdirectora, com o Eng. Diamantino Mendes que vai exercer as funções de primeiro Director Adjunto.

Agradecimentos

Resta-me agradecer a todos os que, com a sua grata presença, quiseram dignificar, ainda mais, a celebração deste dia e manifestar especial apreço a todos os presentes nesta cerimónia.

Bem hajam!


 

 

 

 

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