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Inês e Pedro - versão platónica

Era uma vez Inês
Esperando Pedro
Tecendo a saudade
Com fios de castidade,
Bordando o amor
Com linhas de dor,
Antevendo
Na sua vida serena
Uma alegria pequena!

Não.
Nesta história
Não
Há algozes
Nem outros homens ferozes
Nem o povo anão
De piedade
Nem Rei incapaz de decisão
Nem lágrimas
Nem Quinta das Lágrimas
Nem imagens de mãe aflita
Nem sangue
Nem cadáver exangue
Nem tragédia infinita
Nem vítima maldita
A gritar eternamente
A ecoar horrivelmente
Pelas margens do Mondego
Roubando-lhe o sossego
De correr pacificamente,
Sem preocupações,
Com muitas ilusões!
Não,
Nesta história
Há uma vida feliz
Com laivos de infelicidade.
Há uma vida real
Num país não ideal:
Portugal.

Há uma Inês: petiz
Mental,
Gigante
De paixão brutal!
Há um Pedro
Vestido de preto cabedal
Montado numa moto sensacional
De silhueta sensual!
Há uma oposição
Visceral
Entre dois seres:
Duas bolas de sabão
À beira da explosão
Detendo dois saberes
Quais linhas paralelas
Nunca capazes de união!
Estão juntos pelo coração
Estão separados pela razão:
Ela "curtindo" Ágata
Ele procura a "gata"
E buscando aquela sensação
Trazida por aquela sensação
(Monstro voraz de destruição)!

Vão felizes
No seu caminho.
Olham-se à distância
Sem ganância
Cheios de inocente ânsia
Do prazer adiado!
São felizes
Só de olhar
Só de ouvir
Mesmo sem cheirar
Mesmo sem palpar
Mesmo sem saborear!


Raquel Rosa

 

Laços lassos

Cres(c)er é seguir caminho,
Sem renegar o ninho,
Sem cortar laços,
Sem somar estilhaços
Aos paternais cansaços!

Cres(c)er é um pedaço de barro
Potencial jarro
Das mãos do oleiro nascido,
Com lascas e ferido
Com função e sentido!

Cres(c)er é uma toalha
Bem posta quando calha,
Enrugada a cada falha,
De linho e de estopa:
Ora branca ora manchada de sopa!

Cres(c)er é uma teia
Nem bonita nem feia,
En(cruz)ilhada de tantos fios
Doentes ou sadios,
Tecida com ternura
Que sempre acalma a fervura!

Cres(c)er é conquistar um espaço
Neste mundo d'aço,
Trazer brilho ao que é baço,
Sorrir a cada passo,
Coroar tudo o que faço
Com um forte abraço!


Maria Graciosa Gonçalves
Professora de Português

 

Vai borboleta

Vai borboleta, vai!
Depressa, sem mais demoras,
Vai e abre a porta das masmorras.
Liberta as ovelhas!

Olha como elas são belas,
Vivendo a sua vidinha…
Comem, dormem, trabalham e morrem

Até parece que têm vida própria.
Olha, chegou o pastor,
Com o seu saco de corrupção e mentira.
Agarrou aquela, a que é negra!
Pobre! Apenas porque pensa e vê.

Agora sim! Olha para o rebanho.
Todas francas,  puras, sublimes, perfeitas.
Tal qual uma nuvem que se vai condensar
Em gotas de hipocrisia e vergonha.

Ernesto

 

 

 

 

Pântano

 

Pântano! Areias movediças...
Afundas-te, gritas, pedes ajuda!
Agarras-te ao tempo perdido
levado pelo negro sorridente.

Quantas vezes choraste em nome
de um deus sem altar?
Em nome de uma nota,
ou de um grão de milho?

Pois é, camarada, agora já sabes
que o teu gato tem sete vidas.
Mas tu só tens uma...
E uma vida de cão não tem honra,
só horror, medo e uma cela húmida.

Espreita pelas grades e confirma...

 

Ernesto, aluno - 11º ano

 

 

 

África

 

Não és só dos que em ti nasceram
De ricos ou pobres
De negros ou de brancos
África
És de todos os que te amam
E te querem bem.
Em Angola
Calaram-se as armas
O futuro começa agora
Mesmo que o caminhar
Seja lento
O futuro poderá ser seguro
Lembrar e recordar
Homenagear-te
É ter-te sempre presente
Esquecer-te, nunca.

 

Maria Emília Carvalho

 

 

Minha Terra

 

Minha terra tem calor.
Tem batuque e tem rebita.
Tem kissange e tambor,
E também mulata bonito.

Minha terra é um amor.
É como uma linda flor,
Que existe lá no jardim.
Tem cheiro, ritmo e cor.
Minha terra tem coqueiros
Onde canta o sabiá,
Mulembeira e palmeira,
Escritores e poetas,
Petróleo e diamantes.
Riqueza e beleza!

Minha terra, que vês teus filhos
Partirem.
Uns partem p'ra guerra,
Lutando por ti,
Outros, de ti bem longe, morrem!

Minha terra não tem paz,
Tem sofrimento, dor e lágrimas.
Uns sofrem os horrores da guerra,
Que tanto ódio traz,
Porque a paz tarda em chegar.

Pombal, tens sido minha terra,
Mas, Angola, trago-te no coração!

 

Maria Emília Carvalho

 

 

AMEI os teus olhos escurecidos pela dor
a tua boca poisada no vento dos meus beijos
a certeza da tua presença na minha solidão
o vibrar forte que emanavas dando-me segurança
os teus passos no vazio da minha vida
o teu cansaço agitando mais a minha vivacidade
 

AMO o sonho que és para mim
a palavra que escondes no teu silêncio
a caminhada que fazemos juntos, separadamente
o contraste do teu e do meu ser
a esperança de te ver correr sendo eu a meta
o olhar furtivo que lanças atingindo o meu acaso

AMAREI tudo o que foste, és e serás
todas as flores plantadas no nosso universo…

… e ficarei feliz sonhando os nossos sonhos de AMOR.

 

Fátima Marques
Professora de Física/Química

 

 
           

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