A adolescência é o período de transição que
separa a infância da idade adulta, tendo por
centro a puberdade."Uma transição que deixa
mágoas, recordações dos tempos em que éramos
felizes e tudo à nossa volta nos sorria. Se
a adolescência é "como um segundo nascimento
que se cumprirá progressivamente", a verdade
é que também não passa de um campo cheio de
dúvidas, de curiosidade desmedida onde tudo
nos espera.
Esta é uma fase da vida na qual o apoio
familiar é imprescindível.
"Abandonar a infância, fazer desaparecer em
nós a criança", eis o que a adolescência nos
sugere. 'Da' nossa vida passam a fazer parte
as recordações daqueles tempos em que
brincávamos na areia, construindo "casas de
sapos", jogando ao berlinde e à bola com as
meninas. Era enorme a amizade que nos unia!
Abandonar a infância para entrar na
adolescência, não é transformar-se em
agressor da própria vida, oscilando na corda
bamba.
Quando se fala dos adolescentes acaba-se
muitas, por falar em delinquência. Alguém
que não consegue viver segundo os preceitos
da moral e da lei que pretende que não
roubemos e não agridamos os outros.
Nos mandamentos da lei de Deus, roubar è
pecar, manchar a nossa vida e a daqueles que
nos amam. Alguns jovens roubam para
alimentar os vícios, para ter dinheiro nos
bolsos, por vezes até para agradar às
namoradas.
A moral dos adolescentes do bairro do Belém
(Guiné-Bissau) e o modo como queriam levar a
vida, não se perspectivava de modo algum
para um futuro saudável. Os pais perderam o
poder de educadores, já não sabiam como
educar os filhos. Estes, que pelo desejo de
ter uma vida de prazeres, também se perderam
na escura cidade de Bissau.
Aqueles pais, pobres sem condições de
assegurar o sustento dos filhos, muitos
serviam-se deles como recurso para conseguir
o pão de cada dia. Os adolescentes ajudavam,
como podiam, a assegurar a economia da casa.
As moças, muitas sem ou com o consentimento
familiar, vendiam os seus corpos, o que por
vezes acontecia mesmo na barba dos pais,
trazendo dinheiro para casa. Belas,
encantadoras, atraentes, ninguém resistia
aos seus olhares sedutores, às suas pernas
altas e elegantes.
As raparigas do meu bairro não eram
djacas(1). Eram de famílias humildes e
ajudavam as mães nas tarefas domésticas:
lavavam a roupa, cozinhavam, passavam a
ferro e ainda iam à escola.
A vida dos adolescentes em Bissau decorria
entre a casa e a escola. À noite
entregavam-se aos bares, discotecas,
verbenas e cinemas. Uma pequena percentagem
frequentava as aulas no período nocturno.
Que ironia? Aulas à noite em Bissau, cidade
de apagão!
Eu diria que a adolescência é o espelho de
uma sociedade. Ela reflecte o estado em que
esta se encontra. Cientificamente é como uma
lupa: permite-nos ver o que a olho nu não
nos seria possível observar.
(1) mundanas