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Professor Luciano Borges

Portugal numa Europa a 25

 

 
 

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É o quinto alargamento que encerra um longo processo iniciado, há quinze anos, com a desintegração da União Soviética e que visa unificar a Europa, preservar a paz no Velho Continente, bem como, aumentar o seu peso no mundo.


A União Europeia, desde o dia 1 de Maio último, passou de 15 Estados-membros para 25, de 370 milhões para 480 milhões de consumidores e de 3,2 para 3,7 milhões de km2 e vê aumentar para 20 os idiomas oficiais. É o quinto alargamento que encerra um longo processo iniciado, há quinze anos, com a desintegração da União Soviética e que visa unificar a Europa, preservar a paz no Velho Continente, bem como, aumentar o seu peso no mundo.


Este processo de reunificação dos povos europeus não fica por aqui. Um novo alargamento está programado e agendado para 2007, a fim de permitir a entrada da Bulgária e da Roménia e de outros países europeus, nomeadamente, a Croácia e a Macedónia que já formularam o respectivo pedido de adesão, aumentando, deste modo , ainda mais, a zona de estabilidade na Europa. Também a Turquia, em Outubro, saberá quando poderá, finalmente, dar início às tão esperadas negociações.


Os novos Estados-membros, para entrar neste clube, tiveram de cumprir um exigente programa, elaborado pelos Estados-membros mais antigos, que ficou conhecido como «os critérios de Copenhaga», por ter sido delineado no Conselho Europeu reunido nesta cidade europeia, em 1993.


Antes demais, os candidatos tiveram de dotar-se de instituições estáveis e capazes de garantir a democracia , o Estado de direito, os direitos humanos e o respeito pelas minorias e sua protecção efectiva. Posteriormente e, até à data da adesão, deviam pôr a funcionar uma economia de mercado, apta a enfrentar a concorrência no interior da União e demonstrar capacidade para assumir as obrigações decorrentes da efectiva adesão, incluindo a partilha dos objectivos da união política, económica e monetária.


Este alargamento, o maior na história da Europa, terá, com toda a certeza, um profundo e significativo impacto, quer na União Europeia e suas instituições, quer em Portugal.


Ao levar as fronteiras da EU até ao espaço da antiga União Soviética e também ao Médio Oriente este alargamento aumenta a zona de estabilidade na Europa, o que significa mais paz e segurança. Como afirmam muitos líderes europeus «é o adeus à guerra fria». Por outro lado, a ampliação do mercado único servirá de estímulo ao crescimento económico e proporcionará novas oportunidades aos trabalhadores e às empresas. Proporcionará, ainda, acredita-se, o aumento da qualidade de vida dos cidadãos europeus, devido à adopção, pelos novos países, das políticas da União Europeia relativas ao ambiente, à luta contra a droga , o crime e a imigração ilegal. A EU passará , também, a ter um maior peso no mundo dos negócios e será, certamente, um parceiro mais forte nas negociações relativas ao comércio internacional. A entrada de novos estados, afirma-se também, enriquecerá a EU através do aumento da diversidade cultural e do intercâmbio de ideias e conhecimentos.


E Portugal será prejudicado ou beneficiado? Quais são os maiores receios e as maiores esperanças?


O nosso país enfrentará algumas dificuldades devido ao aumento da concorrência comercial, ao desvio de fluxos de investimento para os novos países e à redução da intensidade dos apoios comunitários. Portugal verá , também, aumentar o seu carácter periférico, pois, o centro da EU deslocar-se-á mais para a Europa Central e de Leste.


Estas dificuldades não são insuperáveis e poderão ser ultrapassadas com mais iniciativa por parte dos empresários e os necessários apoios do Estado à internacionalização, com a modernização e o aumento da competitividade dos sectores produtivos. Além disso, Portugal possui grande experiência nos serviços importantes para os novos países que poderá aproveitar, nomeadamente, na banca e nos seguros. O sistema financeiro e as obras públicas, por força das infra-estruturas que vão ser edificadas com os dinheiros dos fundos comunitários, são os sectores com mais potencialidades de investimento para as empresas portuguesas. Assim, o alargamento poderá constituir «um desafio bem-vindo» para Portugal e abrir novas oportunidades para as empresas e para os grupos económicos e financeiros. Além disso, estes países são economias emergentes, pelo que proporcionam condições atractivas para o investimento português.


A nova Europa a 25 irá exigir aos portugueses que sejam capazes de aproveitar este desafio e de procurar oportunidades nos países do alargamento. 

 
 

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O nosso país enfrentará algumas dificuldades devido ao aumento da concorrência comercial, ao desvio de fluxos de investimento para os novos países e à redução da intensidade dos apoios comunitários. Portugal verá , também, aumentar o seu carácter periférico, pois, o centro da EU deslocar-se-á mais para a Europa Central e de Leste.

 

 
     

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