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Professor Marco Casquilho

Incapaz para estudar

 

 
 

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Ninguém é incapaz para estudar, assim como ninguém é incapaz para trabalhar. Temos é ritmos diferentes de acção e capacidades distintas, que em nada alteram a produtividade. O segredo do aproveitamento reside somente no tempo aplicado.


Recentemente, quando esperava o autocarro para o Porto, surpreendeu-me um diálogo entre duas senhoras relativamente aos seus filhos, alunos do ensino secundário. Sei que não é correcto escutar conversas alheias, porém era impossível não o fazer dado o tom de voz de ambas.


Uma delas lamentava-se perante a outra de que os professores da escola que o seu filho frequentava lhe tinham comunicado a incapacidade do aluno prosseguir estudos superiores. As razões invocadas eram a distracção frequente nas aulas, a ausência de um estudo rigoroso e, por fim, a falta de capacidades intelectuais.

 

Comoveu-me tal comentário. Não quero estabelecer um juízo de valor sobre a veracidade da história, mas centrar-me apenas na análise do preconceito que lhe está subjacente.

 

Durante muitos anos, o ensino foi administrado exclusivamente àqueles que demonstravam resultados efectivos. Os restantes eram excluídos sob a perspectiva de que seriam mais úteis na realização de trabalhos não intelectuais. Tal argumentação prevaleceu historicamente num período indeterminado até ao advento das democracias contemporâneas e a universalização do direito à educação. E ainda hoje subsistem resquícios desta mentalidade obsoleta. É comum alguns pais e educadores reagirem ao insucesso escolar dos filhos com frases do género:” Sabe... ele tem mais jeito para trabalhar do que para estudar...”

 

Ora, este é um preconceito incorrecto. Só será um bom trabalhador aquele que possui ordem, diligência, espírito de iniciativa pessoal e capacidade de resolução de problemas. Quem negará, pois, a presença do intelecto no trabalho? Pode porventura alguém intelectualmente deficitário exercitar um trabalho perfeito? É evidente que não, visto que a sua acção se limitaria a meros actos adestrados e mecanizados.

 

Assim, quem é suficientemente competente para exercitar um trabalho, é também capaz de prosseguir os estudos com resultados igualmente satisfatórios. Agora, pode existir um problema de motivação e isso é uma diferente questão. Tal hipótese exige um tratamento mais delicado e um esforço maior na investigação dos motivos que impedem que o aluno seja empenhado, atento e metódico no seu estudo.

 

É verdade que todos temos capacidades intelectuais diversas. Porém, nada impede o sucesso escolar. Se o aluno não memoriza facilmente numa hora, pode recorrer a mais horas de estudo. Se não compreende a matéria pode procurar investigar pessoalmente a dúvida mediante os meios ao seu dispor. Logo, se ele não o faz não é por não ter capacidade, mas por falta de motivação. O problema não é a inteligência, mas talvez o ambiente familiar, o contexto sociocultural, a qualidade do ensino ministrado ou a postura pessoal.

 

Atrever-me-ia mesmo a dizer que, embora nem todos tenhamos o mesmo grau de inteligência, temos certamente todos a mesma possibilidade de ser bem sucedidos.

 

Reconheço mesmo no meu caso pessoal que, embora desprovido de rasgos de génio e de uma memória formidável, sempre consegui lograr bons resultados graças a um trabalho empenhado. Provavelmente neste domínio ultrapassei muitos colegas com capacidades intelectuais superiores que, em virtude da ausência de um estudo empenhado, obtiveram resultados medíocres.

 

A chave do sucesso escolar não é pois um nível elevado de inteligência ou uma memória formidável, mas uma força de vontade sólida que promove um estudo sério e rigoroso. Com determinação, organização e muitas horas de estudo tudo se consegue.

 

Ninguém é incapaz para estudar, assim como ninguém é incapaz para trabalhar. Temos é ritmos diferentes de acção e capacidades distintas, que em nada alteram a produtividade. O segredo do aproveitamento reside somente no tempo aplicado. É evidente que um aluno com menores aptidões para a compreensão e para a memorização necessita de mais horas de estudo. Todavia, nada impede que um aluno com menores capacidades mas com um maior tempo de estudo supere outro colega, certamente abençoado com uma melhor memória e com uma maior facilidade na compreensão das matérias.

 
 

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Ninguém é incapaz para estudar, assim como ninguém é incapaz para trabalhar. Temos é ritmos diferentes de acção e capacidades distintas, que em nada alteram a produtividade. O segredo do aproveitamento reside somente no tempo aplicado. É evidente que um aluno com menores aptidões para a compreensão e para a memorização necessita de mais horas de estudo.

 

 
     

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