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Joana Margarida Alegrete 12ªA

Manifesto anti-amor

 

 
 

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Almada Negreiros, destacado artista plástico e escritor do Primeiro Modernismo Português, publicou, na segunda década do século XX, o célebre “Manifesto Anti-Dantas”, irreverente e cáustico libelo contra o então representante do academismo literário e também contra um país que se deixava representar por uma figura considerada ultrapassada. Foi esse texto que inspirou este “Manifesto Anti-Amor.


O amor é a pior coisa que existe hoje em dia.
O amor faz-me mal, põe-me doente.
O amor faz-nos revoltar, faz-nos odiar.
O amor é a meta que todos queremos alcançar, aquele estado pleno a que todos aspiram. Porém, esse amor faz-nos as maiores maldades possíveis e imaginárias. Julieta é prova disso.
O amor mata.
O amor descontrola-nos.
O amor controla-nos.
O amor trata-nos como marionetas, leva-nos à maior loucura, põe-nos insanos.
Que seja Tróia a minha maior testemunha. Aí, o amor alimentou a guerra. Matou vários inocentes por um único motivo: o amor.
O amor é meloso. Poucos sabem o quanto eu odeio mel.
Quem ama torna-se irracional.
Todos os grandes poetas são poetas, porque o amor os fez sofrer.
Abaixo o amor! Abaixo a irracionalidade! Mantenham-se sóbrios!
Depois de um grande amor, vem sempre uma ressaca com o nome de desilusão. Se acham que uma ressaca de álcool é difícil, não queiram imaginar uma ressaca de amor.
O amor dá-nos suores, o amor dá-nos calafrios, o amor põe o coração a bater a mil à hora e adrenalina ao máximo.
O amor é um jogo difícil de jogar, onde muito poucos ganham e muitos outros morrem.
O amor revolta-me, enoja-me, dá-me volta ao estômago.
O amor é o único mal que afecta toda a humanidade.
O amor é pior que Bush.
O amor é a prova de milhares de anos de histórias de loucos.
O amor traz o ódio. Ambos andam de mãos dadas. Não podemos amar uma pessoa sem odiar outra.
O amor leva à perdição.
O amor leva à traição.
O amor dá-nos a estranha sensação de voar. Mas quanto mais alto é o voo, maior a queda.
O amor faz de nós tapetes que outros se divertem a pisar.
O amor não é cego. O amor faz de nós cegos.
O amor dá-nos a falsa sensação de liberdade e de felicidade.
Mas o que mais odeio no amor, o que me revolta mesmo, é não conseguir deixar de amar.

 
 

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Mas o que mais odeio no amor, o que me revolta mesmo, é não conseguir deixar de amar.

 

 
     

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