Ultimamente, temos sido
bombardeados com os aumentos das taxas de
juro, o que, infelizmente, afecta muitas
pessoas em Portugal. As pessoas sentem
necessidade de consumir, o que é natural.
Consumir é tão natural como respirar. Na
verdade, respirar é consumir. O que é
lamentável é que as pessoas não saibam
consumir, fazendo créditos para adquirir
bens que não têm dinheiro para comprar e de
que, muitas vezes, não necessitam.
Será o consumismo um problema de sociedade?
Eu creio que é, mas é mais do que isso. Como
já expliquei, consumir é, além de natural,
uma necessidade. O homem não é diferente dos
outros animais que lutam pela sua
sobrevivência e soberania, apenas tem formas
mais sofisticadas de sobreviver. Além disto,
há verdadeiros “gurus do marketing”, ou
seja, especialista na arte de persuadir (e,
muitas vezes, manipular) as pessoas,
fazendo-as crer que, ao adquirirem
determinado bem, vão ser mais felizes, isto
é, terão corpos espectaculares, serão mais
bem sucedidas na sociedade e tantas outras
coisas que não são, de todo, verdadeiras. Na
verdade, apenas fazem as pessoas ficarem
deprimidas ao constatarem que o produto não
corresponde ao pretendido ou por não poderem
adquirir determinado produto de determinada
marca, sentindo-se, assim, inferiores. São
estes os resultados da publicidade com
pessoas exibindo corpos espectacularmente
belos e (especialmente os das mulheres)
seminus.
Para além disso, como já li algures, por que
motivo necessitamos de telemóveis com
máquina fotográfica? Segundo a TMN, um
milhão dos seus clientes iriam necessitar de
tal objecto (parece que esta previsão foi
ultrapassada).
Alguns poderão contestar-me, dizendo que,
sem publicidade, não há consumo e que isso
seria terrível para a economia global. Eu
nunca afirmei que consumir era mau; o que é
mau é, como em tudo, o excesso: “já que o
mundo é de consumo, consome com mais
atenção” (Júnior). As pessoas, ao consumirem
o que não podem pagar, criam dívidas
astronómicas (parece que cada português deve
cerca de 9.000€), aumentando o défice, um
dos maiores problemas económicos da
actualidade.
Como conclusão, relembro alguns versos do
Júnior, em “Vida Normal”:
“O que importa não é o telemóvel
é quem está do outro lado;
O que importa não é o automóvel
é quem está lá sentado;
…
Fazeres o trabalho bem feito
E por isso seres bem pago…”