Tudo aquilo que fiz e que faço
projecta numa paisagem todo o esplendor de
um ser. As suas falhas, as suas mágoas, os
seus ideais. Nada quis esconder, ocultar ou
omitir. Sinceridade extasiante, vítima de
olhares indiscretos. Sempre agi segundo meus
princípios, sem olhar para trás. Porque a
sinceridade para mim bastava. Dignificação
do ser, concretização de um elixir
existencial. Pretendi contemplar o mundo com
um simples abraço, um simples raio de sol,
que viesse findar toda uma podridão vigente.
Mas o mundo não aceita. Crente em “verdades”
incutidas por engano, abraça outros ideais.
A sinceridade não vence. Realidade
marginalizada, praticamente em extinção. Não
interessa o enfrentar, mas o criticar. É tão
fácil ignorar o que não se conhece, o que
nunca respirámos ou o em que, tão pouco,
acreditámos.
Olhos tenebrosos de mágoa corrompem o triste
ser. Retiram-lhe toda uma magia, um
esplendor, uma divindade. Responsáveis há
muitos.
Adolescência, período no qual, através de
temáticas, nos é evidenciada uma revolta
extrema face à realidade que circunda o
indivíduo. Mas que seria o homem sem essa
revolta, sem essa indignação? Não é um mundo
idealizado que ele procura, mas, sim, o
reconhecimento de valores que deveriam
respirar universalidade. É o vazio que o
move, a ausência de valores.
É triste a acomodação em que o mundo se
encontra e toda a sua cumplicidade face a
valores caquécticos e mesquinhos... Mas o
mundo não evolui, estanca. Porquê? Porque
toda uma essência conspira e toda uma
esperança se evapora.
Não pretendo o desvirtuar de todo um mundo,
mas a sua essência verdadeira. Anseio o dia
em que tristes seres vislumbrem toda uma
harmonia que se encontra ofuscada. Mas não
me cabe a mim esse papel. Nada sou face a
uma maioria vigente. Sou um mero ser...
cansado de tanto sofrer.
Perante a jornada vã e falsa que é tecida
por todo um grupo, escondem-se rostos que
sofrem... Nada mais tenho a acrescentar. O
ano chegou ao fim...