Etimologicamente,
“tolerância”, que pressupõe sempre um padrão
de referência, significa sofrer ou suportar
pacientemente.
O conceito de ‘tolerância’ consiste em
deixar aos outros a liberdade de exprimirem
opiniões divergentes, de viverem em
conformidade com tais opiniões e aceitar tal
facto sem reacção agressiva ou defensiva.
Depois de analisar diversos temas
controversos, através das diferentes
respostas dadas aos inquéritos por mim
realizados a alguns professores, cheguei às
seguintes conclusões:
Não deve haver tolerância em relação à
produção e tráfico de droga, porque a droga
é uma substância prejudicial à saúde humana
e destrói famílias, psicológica e
fisicamente. Em situação de fracasso, o
toxicodependente vê na droga uma maneira
fácil de resolver problemas, uma ajuda
preciosa que se converterá numa tortura. É
preciso um controlo total e eficaz para
acabar com a produção e o tráfico de droga.
No que diz respeito ao desenvolvimento da
manipulação genética, deve haver tolerância,
se for usada para benefício de saúde humana;
quando essa actividade se pretender realizar
por obsessão ou vaidade (escolher a cor dos
olhos de um filho, mudar o sexo…), não deve
haver tolerância. Na investigação
científica, a vida é, por vezes, usada como
objecto de manipulações; por isso, deve
haver controlo e fiscalização de entidades
com autoridade reconhecida por todos,
evitando problemas indesejáveis.
A legalização do aborto é tolerável só nos
casos de extrema necessidade e se a mulher
assim o desejar. A vida humana, quando
iniciada, não deve ser interrompida só
porque vai facilitar a vida a alguém. Deve
haver uma legalização controlada e atenta
(conhecer os motivos que levam a mulher a
querer abortar e pesar bem os prós e os
contras dessa decisão).
A pena de morte é intolerável, porque todo o
cidadão tem o direito à vida e ninguém o
deve violar. É uma contradição afirmar que o
homicida merece ser condenado ao seu próprio
homicídio! Deve haver maior segurança para
evitar tanta criminalidade e os criminosos
deveriam ter penalizações mais rigorosas.
A legalização indiscriminada de imigrantes
em Portugal não é tolerável, porque Portugal
vive graves dificuldades financeiras e
económicas, a taxa de desemprego continua a
crescer, o excesso de população vai
diminuindo as hipóteses de conseguir
emprego. O imigrante precisa de estar
legalizado para se integrar melhor na
sociedade portuguesa, mas deve haver um
controlo na legalização.
A legalização do casamento de homossexuais é
tolerável, porque cada cidadão é livre de
escolher o seu parceiro. Contudo, uma parte
da sociedade portuguesa não está preparada
para esta situação e continua a haver
discriminação.
O pagamento de propinas no ensino superior é
tolerável de acordo com as possibilidades
económicas das famílias de cada estudante.
Os estudantes, devido a todas as despesas
que já têm, reclamam pela falta de apoio do
estado. Com um pequeno investimento pessoal
(dos pais ou com trabalho em part-time), o
estudante poderá usufruir de melhores
condições para estudar.
Devemos aceitar o outro nas suas diferenças,
porque uma cultura pode sobreviver e
enriquecer as suas vivências, quando, no seu
próprio seio, tolera aquelas que defendem o
seu oposto.