Catherine Fernandes (CF): Sabemos que tens o 5º ano do Conservatório de
Música, em Acordeão, e que és 2º Clarinete na Filarmónica Artística Pombalense.
Que importância tem a música na tua vida?
Rita Domingues: A música tornou-me mais responsável, organizada e
sociável. Esta arte faz-nos viver momentos emocionantes e melancólicos,
impulsiona-nos à acção, cria laços, liberta e identifica nações. Enfim, é um
factor de coesão, de orgulho e de união entre os diversos povos.
CF: Como é que entraste no «mundo da música»?
RD: Entrei para a Tecnimúsica com 4 anos e, desde então, não tenho
parado. Aprendi a tocar viola, órgão e acordeão. Segui com o acordeão para o
Conservatório de Música de Coimbra, ao mesmo tempo que entrei para a escola de
Música da Filarmónica Artística Pombalense onde aprendi clarinete.
CF: A música ocupa-te muito tempo?
RD: Às terças, sextas e sábados, tenho aulas no Conservatório, para além
de ir aos ensaios da Filarmónica Artística Pombalense, ao sábado à tarde e à
noite. Isto tudo obriga-me a ser disciplinada e metódica, mas dá vida, ritmo e
dinâmica aos meus dias.
CF: A participação no Clube de Teatro da Escola também foi uma forma de
preencher a tua vida com «outras vidas», na pele das várias personagens?
RD: Foi uma experiência muito engraçada, porque me ajudou a libertar
mais, tornando-me mais extrovertida; até vivi uma «vida de anjo» na peça do ano
passado! O ambiente nos bastidores é alucinante e frenético, o convívio que se
estabelece é muito diferente da situação de escola e sentimo-nos quase
«artistas». Apesar do imenso trabalho que a concretização de uma peça de teatro
exige, no final da sua representação, sentimos uma enorme satisfação e
gratificação por vermos o nosso esforço aplaudido e reconhecido.
CF: Sobra pouco tempo para estudar, sair com os amigos, ler ou passear…
RD: Na verdade, sobra tempo para tudo isso! O facto de ter os dias mais
preenchidos e o tempo quase todo ocupado obriga-me a aproveitá-lo melhor e a
valorizar todos os momentos. É importante que se trabalhe e estude, mas também é
fulcral o divertimento, as amizades e o convívio.
CF: Porquê um instrumento tão tradicional, o acordeão, em pleno século XXI,
aos 17 anos?
RD: Comecei a tocar acordeão por influência da minha mãe, mesmo não
gostando muito do instrumento, inicialmente. Todavia, a partir do momento em que
comecei a aprender a tocar, apercebi-me da sua enorme versatilidade e das suas
potencialidades. No acordeão, não só é possível tocar música tradicional, como
também música de conservatório, dentro de um estilo mais clássico.
CF: Tocar acordeão pode conjugar-se no futuro?
RD: Actualmente, é apenas uma ocupação e um prazer, mas nunca se sabe se,
no futuro, não poderá vir a ser algo mais. O que é importante é que me
proporciona momentos de prazer e que me tem valorizado a nível emocional e
cultural.